Quais são as características de uma criança que podem conduzir a diagnóstico de Síndrome de Asperger?
As características requeridas para um diagnóstico de Síndrome de Asperger estão listadas no DSM-IV (The Diagnostic and Statistical Manual) da Associação Americana de Psiquiatria, revista pela última vez em 1994. As três características fundamentais são: problemas na comunicação ou no uso da linguagem verbal, dificuldades marcadas na interacção social, e um conjunto de interesses restritos e comportamentos repetitivos. Existem outros critérios de diagnóstico (ver nesta webpage).
Quem pode diagnosticar uma pessoa com a Síndrome de Asperger?
Apenas médicos (pediatras, pedopsiquiatras, psiquiatras ou médicos de clínica geral) e psicólogos estão autorizados a dar um diagnóstico formal. Terapeutas, enfermeiros, e técnicos de terapia da fala podem ter indícios da possibilidade de uma criança ter SA, mas o caso deve ser encaminhado para um especialista.
Todos os médicos conhecem e sabem diagnosticar a Síndrome de Asperger?
Qualquer médico conhece o termo “autismo”, pode no entanto não estar familiarizado com a Síndrome de Asperger ou outros diagnósticos recentemente incluídos no DSM-IV, em 1994. Médicos pediatras, pedopsiquiatras, psicólogos, especialistas em desenvolvimento infantil ou que trabalham com adultos com atrasos de desenvolvimento, estarão certamente muito mais familiarizados com a SA. Por outro lado, porque os sintomas da SA são muito mais subtis que outras formas de Doenças do Desenvolvimento, como por exemplo o autismo, pode ser mais difícil obter um diagnóstico correcto, principalmente antes de entrar na idade escolar.
Será possível que existam outras pessoas na minha família com doenças do espectro do autismo?
Sim. Estudos estatísticos apontam para que as doenças do espectro do autismo tenham uma causa genética. Ocorrências das perturbações podem ocorrer na mesma geração, ou em várias gerações, em diferentes graus de intensidade.
Devo fazer qualquer coisa para preparar a minha criança para ser diagnosticada?
O médico poderá querer ver os diagnósticos prévios; se os tiver, incluindo relatórios de terapeutas, deve levá-los para a consulta. Igualmente serão discutidos com o médico as datas importantes da evolução e desenvolvimento da criança desde o nascimento. É muito importante obter estes dados antes da consulta (quando começou a andar? quando começou a falar? quando deixou as fraldas? Etc). Elabore uma lista com as características, comportamentos e problemas que o preocupam. Escreva igualmente as perguntas que tiver que colocar ao médico para não se esquecer delas durante a consulta.
Como se desenvolve o processo de diagnóstico?
Depende do especialista que faz a avaliação e da sua experiência e, também, da criança a ser avaliada e da sua idade. Alguns médicos não fazem o diagnóstico de imediato e preferem esperar e ver como a criança se desenvolve ao longo do tempo. Os especialistas que estão muito familiarizados com o diagnóstico podem fazê-lo quase directamente através da observação/entrevista da criança e do historial do seu desenvolvimento fornecido por aqueles que o conhecem bem. Durante a consulta o especialista poderá querer obter mais informação sobre as características específicas da criança e as datas mais importantes da sua evolução e desenvolvimento. Podem ser realizados testes normalizados como parte da avaliação, especialmente se o avaliador for um psicólogo. Em determinados casos o diagnóstico pode ser feito por uma equipa multi-disciplinar.
O meu filho já teve outro diagnóstico diferente. Esse diagnóstico permanece se ele foi agora diagnosticado como Asperger?
Esta é uma pergunta complexa e a forma como é respondida por diferentes especialistas pode ser muito variável. Por vezes, o diagnóstico anterior foi feito sobre determinados problemas evidentes (por exemplo, um problema de défice de atenção ou um problema de aprendizagem). Mas este diagnóstico pode não ser completo face a todos os comportamentos e características apresentadas pela criança. Se os sintomas revelados não puderem ser explicados unicamente por um diagnóstico de Asperger (como por exemplo, depressão ou ansiedade) deve ser dada especial atenção a esta co-morbilidade no plano de tratamento individual.
Onde poderei obter um diagnóstico?
Começo com o médico de família ou o pediatra do seu filho. Eles podem sugerir a consulta de um especialista em desenvolvimento. Alguns hospitais, como o Hospital de Santa Maria, têm clínicas especializadas em desenvolvimento infantil. Em Lisboa pode dirigir-se à APPT21, em Chelas, ou ao CADIN, em Cascais.
E se eu não concordar com o diagnóstico do médico?
Se o seu filho for muito novo (i.e., com menos de 3 anos de idade) ou existir co-morbilidade de diversas perturbações, pode ser difícil diagnosticar com exactidão. Mas o que é mais importante inicialmente é saber se existe ou não algum problema de desenvolvimento e se pode existir desde logo uma intervenção adequada. Mais tarde o diagnóstico pode ser revisitado e revisto caso seja necessário.
Um diagnóstico de autismo ou de Asperger pode funcionar contra o meu filho no futuro?
Pode ser que não. Mas, infelizmente, o uso inadequado de diagnósticos ocorrem e muitos pais mostram-se relutantes em que o seu filho seja rotulado e que este rótulo seja conhecido da família, dos amigos e da escola. No entanto um diagnóstico pode ajudar a encontrar a melhor terapia e a forma mais adequada de lidar com a criança. Por outro lado, um diagnóstico, pode ser fundamental para adequar os planos escolares.
A quem devo informar que o meu filho foi diagnosticado?
Em princípio, todos os que lidam com o seu filho (professores, médicos, terapeutas, treinadores, catequistas, etc.) devem saber da sua condição e do seu diagnóstico. Tal facilita a compreensão de determinadas atitudes e comportamentos, a transmissão de informação e a possibilidade de todos trabalharem em sintonia face às características específicas da criança. Nalguns casos, se o diagnóstico for apenas de afectação ligeira, pode não ser necessário dizer ou pelo menos “esconder” de alguns. No entanto, na maior parte dos casos, dizer de forma positive aumento o nível de conhecimento e entendimento que passam a ter do seu filho e, dessa forma, podem interagir com ele com maior eficácia.
E agora que o meu filho foi diagnosticado como Asperger?
A partir do momento em que o seu filho foi diagnosticado, é fundamental que você, a família mais chegada e todos os que lidam com o seu filho obtenham informação e aprendam os métodos mais adequados de lidar com ele .
Qual é o prognóstico para o meu filho que foi diagnosticado como Asperger?
É absolutamente impossível fazer uma generalização e adivinhar como cada criança vai evoluir e desenvolver-se. Todas as crianças continuam o seu desenvolvimento, apesar de atrasos ou a presença de comportamentos diferentes da norma. A informação que se possui sobre o progresso de adultos com autismo é baseada em tratamentos que os mesmos receberam há 20 ou 30 anos atrás. O conhecimento sobre das estratégias educacionais adequadas a estas crianças aumentou dramaticamente nos últimos 10 anos. Uma criança diagnosticada com Asperger recebe hoje em dia uma intervenção que não era possível há alguns anos, até porque provavelmente não era correctamente diagnosticada e intervencionada. Isto significa que a possibilidade de desenvolvimento é muito maior hoje do que anteriormente.
Se eu tenho um filho com Asperger, qual é a probabilidade de ter outro com o mesmo problema ou com autismo?
Os dados estatísticos actuais sugerem que a probabilidade de ter um filho com autismo, se os pais biológicos já têm outro filho com autismo, é de 5%. Este valor pode, no entanto, estar subavaliado pois muitas famílias com um filho autista não têm mais filhos receosos de terem outro com problemas idênticos.
A Síndrome de Asperger pode ser curada?
Actualmente não é conhecida qualquer cura para a Síndrome de Asperger.
Existem medicamentos que podem curar a Síndrome de Asperger?
NÃO EXISTE MEDICAMENTO NENHUM QUE CURE A SÍNDROME DE ASPERGER. Bem como não há nenhum medicamento que seja recomendado para quem tem a sídrome. Existem, no entanto, medicamentos que podem ser prescritos por especialistas para ajudar em determinados sintomas que podem estar associados com o SA. Alguns destes sintomas podem incluir, a dificuldade em se concentrar, a dificuldade em aceitar determinados aspectos do ambiente envolvente ou comportamentos agressivos contra os outros ou, contra si próprio.
Qual é a melhor intervenção para o meu filho com a Síndrome de Asperger?
Existem muitas formas de intervenção que podem ser sugeridas por médicos, técnicos ou terapeutas especializados em Síndrome de Asperger. Existem dados que permitem concluir que a melhor intervenção é aquela que é feita nos primeiros anos de vida, através de métodos comportamentais associado a terapia da fala, para reduzir determinadas deficiências específicas.
Existem graus diferentes de Síndrome de Asperger?
Sim. Podem existir diversos graus de Síndrome de Asperger: ligeiros, médios ou graves. Estes dependem da duração, frequência, ou intensidade dos comportamentos individuais, que obviamente podem melhorar ao longo do tempo através das terapias adequadas associadas ao amadurecimento da personalidade.